Situação da Vida Real - Frequência Cardíaca

Situação da Vida Real - Frequência Cardíaca

“Doutor, qual o valor real da frequência cardíaca? Frequências baixas têm risco maior que frequências altas? Realizo bastante atividade, e no repouso a minha frequência está sempre em torno de 56 bpm, isso é bom?”.

Vamos às respostas:

A frequência cardíaca, que a partir de agora vou chamar de FC, pode variar de 60 a 100 bpm. Depende da situação em que estamos: repouso ou atividade normal do dia a dia. Não estou considerando situações de atividade física intensa, e nem tampouco situações de repouso absoluto, incluindo o sono. O que estou desejando afirmar é que o trabalho do coração atende a determinadas demandas com variações da FC.

O que não é saudável é o coração bater pouco em situações de estresse emocional ou principalmente físico; e nem o coração bater muito em situações de repouso. A situação mais denunciadora de funcionamento deficiente do coração é o aumento desproporcionado da FC sem motivações determinantes. Quando o coração está se tornando insuficiente a primeira resposta (que é burra), corresponde a um aumento da FC. O coração saudável cumpre às necessidades de uma demanda aumentada se relaxando, e completando o seu enchimento sem precisar bater rápido.

É bom lembrar que também em situações de bloqueios do coração, esse aumento de FC não acontece por conta de doença do sistema de ativação do coração. Nesses casos até é necessário o implante de um marcapasso artificial para resolver esse problema.

Segunda resposta: FC baixas e FC altas devem ser encaradas de acordo com a demanda do coração. Quando dormimos é natural termos FC baixas; quando nos exercitamos é saudável termos FC altas. Nesse caso, uma FC de segurança pode ser determinada aplicando um percentual de 80% na diferença de 220 menos a idade.

E, finalmente, devo lhe responder se ter um FC de 56 em repouso é saudável. A minha resposta é sim. Isso significa que em repouso seu coração está mantendo suas necessidades sem precisar se desgastar.

Pense no coração como um motor de uma Ferrari: quando no repouso um ronco suave quase imperceptível, quando submetido a um arranque aparece um ronco forte, e rapidamente alcança a velocidade desejada para seguir viagem.

Marco Mota      
(CRM 718 – AL) Professor Titular de Cardiologia da Faculdade de Medicina da UNCISAL

Voltar à vista geral